Escutando Maria Bethânia e sua forte carga dramática. O CD imitação da vida merece júbilos de veneração. Anuviado de poesias e músicas emotivas e sólidas. Não entendo como alguém pode ter tanta intensidade ao abrir a boca e soltar para o mundo sua mensagem de vida. Bethânia deprime? Sim, uma doce tristeza, que sai do fundo dos espelhos que a vida nos mostra insistentemente. Atualmente estou lendo Verdade Tropical, de Caetano. A facilidade com que este cantor trata das fases e nuances de sua vida são incríveis. É prolixo, mas conta uma história de paixões. Este, merece um especial neste blog de abandonos mentais.

Escutei especialmente Sonho Impossível, versão que Chico Buarque e Ruy Guerra fizeram em 1972 para o musical O Homem de La Mancha, do próprio Ruy. Fala de liberdade, metaforicamente falada nos dedos e mentes desses gênios da música.

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

Aurevoir

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